Cada dia é um fardo a ser suportado, vivido com paciência e resignação. Para levantar da cama, pela manhã, é necessário a energia de um maratonista olímpico e até tarefas simples, como colocar um arroz para ferver se tornam grandes desafios.

As horas se arrastam e a mente luta para suporta e se manter sadia segundo após segundo, rejeitando e lutando contra cada pensamento insistente, que hora evoca medo, hora evoca tédio e até mesmo o próprio desespero.

Tudo parece perder o gosto e o sabor e até o que lhe dava brilha nos olhos agora se iguala a todas as outras partes insípidas da sua vida. Cada compromisso, telefonema, whatsapp e visita é um fardo que se soma as milhares de demandas que você tenta ansiosamente controlar, equilibrar. Quem dera que houvesse em alguma parte do mundo o poder de fazê-las desaparecer.

Eventualmente você pode se encontrar contemplando o horizonte e sem se dar conta, também contempla a sua destruição A abobada azul celeste desmoronando lentamente e o chão abrindo-se embaixo de seus pés. Os objetos e as paredes ao seu redor também se partem na velocidade sincronizada desse desmoronamento. O que você sente nessa hora não é pânico não é medo, não é receio, é na verdade, exatamente o oposto. Você sente alívio.

Quando tudo acabar – você pensa-  as pessoas, o mundo, o universo, nenhum pensamento e nada, absolutamente nada, poderá lhe causar dor.

Agora você respira um ar puro e vazio. O Doce alívio do vazio é maior e único consolo de sua mente cansada para quem pensa em como se matar sem sofrimento, logicamente.

Quando você não aguenta mais viver mas existe alguém que aguenta

Existe uma solução que parece pequena e fraca, mas que guarda uma profunda ligação com nossa alma e que, ao que parecer ser, é um dos únicos caminhos para encontrar a força necessário para seguir em frente. Essa solução se chama Amor. Isso pode soar clichê, falso, repetitivo. Amor é uma palavra que ouvimos repetidas aos quatro ventos e que inseridas em contextos de filmes, livros e tantas vezes na vida real, perde o sentido e se torna vã.

Mas o amor ao que me refiro aqui é o que você compreende lá dentro, na parte mais profunda de sua alma. Aquela sensação que você sentiu quando o consolo da presença de alguém foi tão forte que por alguns minutos você esqueceu de todas as coisas que lhe preocupavam, aquele conforto que tomou seu coração quando você comeu aquela refeição preparada com tanto carinho depois de um dia exaustivo. Aquelas palavras, vinda de lábios amorosos, que consolaram algo na sua mente e que em tantos momentos da sua vida ressoaram e lhe fortaleceram.

Me refiro ao amor, aos relacionamentos de amor. Deus é Amor – isso está escrito na carta de João e se você pensar bem faz todo o sentido. Nos sentimentos vazios, incompletos e infelizes porque sentimos a falta de nosso criador. Toda vez que estamos inseridos em um relacionamento de amor talvez aquela saudade profunda que não sabemos de onde veio, seja, de alguma maneira, saciada.